
sem título, 2019
impressão jacto de tinta sobre acetato fotográfico
297 x 210 mm [cada]
dimensões variáveis
Mock-up de instalação
Obra apresentada na exposição colectiva bolseiros & finalistas ‘19 no Pavilhão Preto do Museu de Lisboa/Palácio Pimenta, Lisboa, Portugal [2020].

sem título, 2020
instalação audiovisual
[full HD vertical, 9:16, cor, som]
loop
Mock-up de instalação
Obra apresentada parcialmente na exposição colectiva sinédoque na Lapso Galeria, Setúbal, Portugal [2021].
As extremidades dos negativos fotográficos não contêm, normalmente, qualquer informação visual útil. O mote para este trabalho foi explorar estes espaços de não-imagem, procurando «revelá-los» através de um digitalizador de negativos. O pressuposto era desafiar os limites do software, introduzindo parâmetros não correspondentes ao material, de forma a provocar desvios e erros de leitura, numa tentativa deliberada de subverter resultados. O efeito obtido traduziu-se numa série de imagens com cor, únicas e irrepetíveis, nas quais a tecnologia expôs uma visualidade que não existia ou não era observável no objecto original. Ao deslocar o negativo no momento da captura das imagens, estas passaram também a reter uma ideia de movimento. Este gesto introduziu variações cromáticas nas imagens, visíveis na alteração do arranjo plástico ao longo da sequência apresentada.
A escolha de um suporte transparente para a reprodução física das imagens, além de remeter para o objecto de partida, o negativo, também as liberta da materialidade desse suporte, pois permite que elas, quando iluminadas, se projectem para além dos seus limites.
A pesquisa alargou-se a outros materiais translúcidos, que foram usados isoladamente ou em sobreposição, criando novos conjuntos de imagens, que se transpuseram para o formato de vídeo. Com isto procurou criar-se um jogo de percepção: cada imagem dissolve-se lentamente na seguinte, há uma permanente reconfiguração, mas a semelhança entre fotogramas sucessivos dificulta a visualização de qualquer modificação. A fusão lenta das imagens vai gerando novas formas e cores, num movimento quase imperceptível, que só a passagem do tempo permite desvendar. Trata-se, portanto, da representação de um processo em curso.