marta amorim

sensory latency
a curatorial journey through synthetic landscapes
spectral spaces
immaterial girl
sucessão ilimitada
0-255

marta.araujo.amorim@gmail.com

a curatorial journey through synthetic landscapes, 2025
vídeo monocanal
[Full HD, cor, som]
4’06’’
Imagem da exposição virtual

Obra apresentada na exposição colectiva de formato híbrido Synthetic Rewilding: Between Nature and the Machine, integrada na ARE 2025: Artistic Research Exhibition, decorrida em Sofia, Bulgária [2025].

O vídeo-ensaio a curatorial journey through synthetic landscapes explora a possibilidade de as paisagens sintéticas – nascidas da abstração algorítmica – poderem ser «re-naturalizadas» através de uma intervenção humana activa, capaz de criar condições de inteligibilidade para além do que a inteligência artificial, por si só, consegue produzir. Neste sentido, reflecte sobre a forma como um gesto autoral pode configurar relações formais e temporais na matéria visual, num contexto marcado pela imprevisibilidade que caracteriza estes sistemas, determinando as condições da sua leitura.
A obra destaca a complexidade inerente à curadoria de resultados produzidos por algoritmos generativos, cujo funcionamento, assente em processos de inferência estatística e na aprendizagem de regularidades visuais a partir de grandes volumes de dados, se inscreve num regime distinto daquele que estrutura o pensamento na prática artística. Este paradigma de produção de imagens exige ciclos iterativos nos quais se estabelece uma negociação face à aleatoriedade do modelo, tornando visível uma agência distribuída, em que as decisões autorais são continuamente condicionadas e reorientadas pela máquina. É neste contexto que a curadoria se afirma como um acto crítico e artístico que define a configuração visual final, não enquanto exercício de controlo absoluto, mas como prática contingente que se desenvolve em articulação com as potencialidades e constrangimentos do mecanismo generativo.
A partir deste enquadramento, a criação do vídeo foi informada por uma abordagem curatorial centrada na construção de uma paisagem sintética, através da selecção de imagens situadas no limiar entre estruturas orgânicas microscópicas e formações artificiais. Estas composições evocam subtilmente lógicas associadas a processos naturais de crescimento e transformação, não na sua génese, mas no modo como são tornadas legíveis enquanto conjunto, favorecendo uma leitura relacional e processual. Nesse sentido, este território visual pode ser pensado como o resultado de dinâmicas de um ecossistema de interdependências enquadrado por critérios plásticos e conceptuais que delimitam e orientam o campo de possibilidades inscrito no material gerado.